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quinta-feira, 12 de maio de 2011

O HOMEM NU - FERNADO SABINO

O Homem Nu

Fernando Sabino


Ao acordar, disse para a mulher:


— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.


— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.


— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.


Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.


Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:


— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.


Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.


Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!


Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:


— Maria, por favor! Sou eu!


Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.


Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.


— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.


E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!


— Isso é que não — repetiu, furioso.


Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.


1. O narrador desta crônica está em primeira ou terceira pessoa?


2. Quais os tempos verbais predominantes nesta crônica?


3. Qual é o nome do homem nu?


4. Por que o casal não poderia abrir a porta do apartamento?


5. Qual efeito cômico o autor explora nesta situação corriqueira?



6. Com que objetivo o homem saiu do apartamento?


7. Por que ele não conseguiu entrar em casa novamente?


8. Por que sua mulher não abriu a porta para ele?


9. Por que ele se refugiou no elevador?


10. Repare na importância dos sons na narrativa. O estrondo da porta que bate, o ruído do chuveiro do banho da mulher... Selecione mais dois trechos em que o som se torna importante para a história e anote-os.


11. Pesqueise o que poderia significar a expressão "pessadelo de Kafka?"


12. Em alguns momentos a narrativa é pontuada por questões como "E agora? Iria subir ou descer?" O que essas questões retratam na narrativa?



CONTINUANDO UMA CRÔNICA


OBJETIVO: Criar um final para a crônica.


* Escreva em seu caderno uma continuação para a crônica de Fernando Sabino.

... De repente ele acorda e percebe que era apenas um sonho.
Então diz para sua mulher:
-Hoje é o dia de pagar a prestação da televisão, vem ai o sujeito com a conta, na certa! Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou sem nenhum.
Então, o homem percebe que está se repetindo, conta tudo a sua mulher e resolve que ela irá pegar o pão.
Tudo se resolve, ele e sua esposa ficam em casa esperando o cobrador quietinho. Porém, o cobrador aparece no outro dia e sem o dinheiro, não consegue resolver o seu problema.
Aluna: Walquíria Cristina Gadani Santos - 8ª B

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... Quando menos esperava, o elevador desligou o sinal de emergência e ele pode subir para seu apartamento.
Chegou com a sacola de pão, uma mulher do apartamento vizinho estava saindo e começou a gritar:
-Tarado!
Foi quando os outros vizinhos começaram a sair de seus apartamentos assustados com aquela cena.
Sua esposa foi ver o que era e ele estava correndo para dentro do seu apartamento com vergonha.
Aluno: Marciano Tomaz - 8ª B
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... Bem indeciso ele tira os pães do embrulho, pega o saco faz como se fosse um short.
Ele resolve voltar ao seu apartamento com aquele seu traje, bate três vezes na porta falando: amor abre a porta!!!
A mulher fala: - Calma amor!! Meu marido já saiu falando pra não mais abrir a porta para você meu anjo! Você vai me agarrar igual aquele dia?
Ela vai e abre a porta.
O marido nervoso entra, veste uma roupa adequada e vai conversar com sua mulher, terminando seu romance sabendo que ele estava sendo traído pelo cara da televisão, que era seu irmão.
Aluno: Lucas - 8ª B
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... Apavorado resolveu tentar de novo. Voltou para o seu andar, com muita cautela para não encontrar o cobrador.
Tocou a campainha e ninguém atendeu.
Então, resolveu esperar. Tomou cuidado para que ninguém percebesse a situação. Passaram horas!
Maria abriu a porta e disse:- O que é isso?
Eu nem respondi, estava muito bravo. Entrei e fui logo vestindo a roupa.
A campainha tocou e adivinha quem era? O cobrador. Então, paguei a televisão e me vi livre dessa situação!
Aluno: Jelisson -8ª B
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Ficou pensando e então decidiu subir. Ele ia subindo e ficava cada vez mais apavorado. Então ele chegou até o seu andar e quando ele abriu a porta do elevador, por sorte o cobrador já tinha ido embora e então bem quietinho ele bateu na porta e disse:
-Maria abre a porta...
Ela conheceu a voz dele e então abriu a porta. E quando ela abriu, viu aquela cena bizarra e começou a rir, então ele foi explicar o que ele passou e eles riram muito da situação constrangedora que ele passou.
Aluna: Gislaine 8 ª A
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Ele pensou muito... Então decidiu subir, pois assim ele poderia chegar ao seu apartamento.
Já tinha ganhado um pouco de tempo para pensar e reagir, então disse: “E se eu chegar e a Maria não abrir a porta? O que eu vou fazer?”
Continuou a subir. Por sorte quando chegou lá, Maria já tinha sentido sua falta e abriu a porta. Quando ela virou as costas para o elevador veio o SUSTO, um homem nu vindo em sua direção, ele passou por ela e entrou no apartamento.
Ela sem entender virou as costas novamente. Então o elevador fez um barulho novamente, ela olha constrangida e pensa: “Será que é outro homem nu?” Quando ela olha é o cobrador!
Aluna: Roberta Nakano - 8ª A
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O elevador parou e começou a subir, ao chegar no seu andar, a porta do elevador se abriu. Ele correu até a porta do seu apartamento e voltou a chamar sua esposa:
-Maria, Maria, sou eu o José, abre a porta!
Maria ouviu e foi abrir a porta, mas só deu tempo dele entra no apartamento, para o cobrador aparecer saindo do elevador. Maria ficou sem saber o que fazer: “Corro e fecho a porta ou fico e conto o que aconteceu?”
Ela resolveu ficar e falar que estava sem dinheiro para pagar a divida e que no outro dia o pagava.
Maria entrou em casa e José contou o que havia acontecido e os dois riram de tudo juntos.
Aluna: Letícia Felix - 8ª A
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Ele pensou. Pensou e pensou parou um pouco e falou com ele mesmo, se eu descer a pessoas que estão lá em baixo chamando o elevador, vão me ver e se eu subir eu tenho a chance de me esconder e tentar entrar no apartamento.
-O que eu faço? Repetiu o homem.
Já sei... Vou subir, ele saiu do elevador e foi correndo para o apartamento e chamou: Maria sou eu, e não o cobrador abre a porta...
Ele entrou no apartamento, e se trocou.
Aluno: Gabriell Matheus - 8ª A
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Poderia piorar? Sim, começaram a chamar o elevador do andar onde mora.
Apavorou-se mais ainda, se é que era possível, resolveu soltar a porta e deixar o elevador andar, a pessoa do andar debaixo desistiu o elevador subiu e ao abrir a porta ficou vermelho, quem ouviu começou a rir.
Nervoso exclamou:
- Maria! Nunca mais eu como pão!
Aluna: Cristiane Cabral - 8ª A
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Ele ficou pensando, pensando até que resolveu subir o elevador. Quando chegou ao andar do seu apartamento, deu de cara com uma senhora que ficou muito espantada e começou a chamar de tarado.
Todos os vizinhos do seu andar saíram, no corredor e começaram a chamar doido.
Foi então que sua mulher abriu a porta e ele saiu correndo para dentro do seu apartamento.
O cobrador chegou, eles tiveram que atender e falaram que não tinham o dinheiro naquele dia .
Aluna: Danielly de Moura - 8ª A
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O homem começou a se desesperar, com medo de que alguém ouvisse nu. Então pegou um pedaço de pano, fez de vestido tomara que caia e resolveu a se passa por “boiola”. Apertou o botão de “subir” e fingiu estar apavorado. Então o homem que ele ouviu os passos, subiu, o viu apavorado e disse:
- Posso ajudar?
-Não meu amor, só estou esperando um a pessoa. Disse o homem nu, com aquela voz de boiola.
Quando o homem dos passos foi embora resolveu bater na porta de Maria, até que ela abriu e tudo se resolveu.
Aluna: Pâmela de Moura - 8ª A

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AGORA VOCÊ VAI LER O FINAL QUE FERNANDO SABINO ESCREVEU PARA A SUA CRÔNICA. "O HOMEM NU":

_ Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
- É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.

4 comentários:

Roberta disse...

Fiicou legal professora !
Gostei (y
Perfect :D

Anônimo disse...

1) Eu li 2 gibis.
2) Nome dos gibis: um pai herói e aventura e aventura 3D.
3) Pôhh muito maneiro.
4) O gibi que eu mais gostei foi "Aventura 3D"
Mauricio 5ª série "A".

Anônimo disse...

AMEIIIII ESSSEE SITE ♥ CONTINUE FAZENDO SITES COMO ESSE (:

Anônimo disse...

adorei esse site continue assim é de muita ajuda pra nós estudante é maravilhoso....

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