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quinta-feira, 12 de abril de 2012

POESIA DE CORDEL

Produção de Cordel

CORDEL - é um gênero de poesia popular impressa que nasce para ser declamado. É em geral nas feiras populares que o cordelista pega a viola e inicia a cantoria de seus versos. Pura estratégia de marketing: quando percebe que os ouvintes querem conhecer o final da história, ele oferece o folheto impresso para compra.

Originados na literatura portuguesa, no Brasil os primeiros folhetos publicados no final do século XIX, no Nordeste, e passaram a fazer parte da cultura dessa região.

PRODUÇÃO DE AUTORIA:

Escreva um poema no estilo dos poemas de cordel, com quatro a cinco estrofes de seis versos.

Você escolhe o tema: pode ser um fato histórico que esteja estudando, um acontecimento político atual, um conteúdo de Biologia, Física ou Química, a história de sua família, uma fábula, um disputa que tenha acontecido na escola, etc.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PROJETO RAP




ESCOLHENDO TEMAS PARA UM RAP

Objetivo: Discutir com os colegas temas para a crianção de um rap.

Em duplas, discutam entre vocês sobre o que gostariam de falar se fossem comprar um rap.Dos temas levantados, selecionem três e os anotem em seus cadernos.
Para cada um dos temas selecionados, listem três ideias que considerem importantes sobre as quais seria necessário falar.Reflitam, discutam anotem em seus cadernos: esses temas se prestam a raps narrativos ou a raps que ''conversam'' com o público, que expõem ideias a
ele?



PROJETO RAP
Objetivo: Escrever um rap em duplas que será apresentado para a classe.

Escolhendo o tema:
Reúnam-se novamente nas duplas formadas para a escolha de temas e levantamentos de idéias para o exercício da seção Mão na Massa anterior, ''Escolhendo Temas para um Rap''.Dentre os três temas por vocês selecionados, cada dupla escolherá aquele que mais a agradou e o que deu margem a ideias mais instigantes.

Planejando o que dizer:
Levantando o tema em consideração, listem as idéias sobre as quais querem falar e coloquem-nas em uma ordem.
Escrevendo o rap:. Discutem como farão para escrever juntos esse rap. Vocês podem dividir a composição em duas partes e cada um dos componentes da dupla escreve uma das partes ou podem escrever todo o rap juntos, discutindo as idéias e os versos conforme os escrevem no papel.
. Não se esqueçam de usar rimas, um dos rec
ursos importantes na criação de um rap. Procurem utilizar rimas ricas e pobres

, para torna composição mais elaborada. É interessante também o uso de rimas perfeitas e imperfeitas. Para isso, prestem atenção às palavras escolhidas para a letra.
- Como vimo, rap tem a ver com atitude, consciência e reflexão. Procurem pensar no que estão dizendo e para quem vão dirigir as palavras do rap que estão compondo.
- Depois de ponta a primeira versão, leiam
e discutam se há necessidade de reformular alguma parte: A mensagem ficou clara? Ela será entendiada pela classe?- Façam as mudanças que ainda forem necessárias para que o rap fique coerente e tenha ritmo e melodia.
- Deem um título para o rap que produziram.


Apresentando o rap para a turma:
- Organizem a apresentação de raps na classe.
- Combine entre vocês como serão apresentados
os raps: vocês o cantarão juntos? Cada aluno
cantará uma das partes da composição?
- Depois da apresentação, discutam entre vo-
cês sobre os temas e as formas que os rapstomaram.
AVALIAÇÃO
- Como foi a apresentação dos raps? Foi possivelouvir
todas as dulpas? O clima foi harmonioso?
- Sobre que temas foram tratados por mais de uma
dupla?
- Vocês conseguiram usar recursos variados de rima? O
ritmo foi bem marcado?


Nas ruas de São Paulo

Estão muitas garotas

Ganhando pouco dinheiro

Para poder tirar a roupa.

Todo dia é assim

Não da pra acreditar

A infância das garotas

Está pra terminar.

Cada dia que passa

Tá ficando pior

Nas ruas, nas favelas

E ainda cheiram pó.

As mães dessas garotas

Nem dão atenção

Até parece que não tem educação.

O uso das drogas tá em todo lado

A vida das garotas...ham ham ham

Está tudo acabado!

A prostituição está acabando

Com as garotas que ainda

Estão se formando.

Nas favelas estão muitos drogados

Trocando as garotas

Pra poder ganhar um trocado.

Os policiais nem dão atenção

Estão gostando de tudo

Até da prostituição.

Pois veem tudo

E não fazem nada

A vida mesmo

Está toda acabada.

E ai parceiro vo ti manda uma moral

Acaba com tudo isso

Ou vai se da mal.

Alunas: Liliana e Darlyn



Vida lá fora

E muito difícil

Menores ganhando dinheiro com tráfico

Nada de estudo nada de trabalho

Tão achando que a vida desse jeito

Fácil!

A mina era virgem, agora anda só

E vive trocando o corpo a troca de pó.

A infância foi interrompida

Pelo tráfico, prostituição e alcoolismo

Violentamente agredido e judiados

Várias batalhas e trocas de tiros

Fazendo com que os jovens saiam feridos

A vida não se tem controle mental

Pois acabará em tiros

Por causa do mal

Os menores de hoje não querem brincar

Usam armas e drogas para poder matar

Acorda jovem e mundo lá fora

Não e nada normal

As pessoas lá fora

Só querem seu mal

Só querem te usar

Só querem te usar

Você vale o que tem

Se você não tem nada

Ninguém te vê como alguém

A vida lá fora

É assim

Seja esperto

Se não vai ser seu fim!

Alunas: Dyniffer e Larissa

O crime hoje em dia

Em nossa sociedade

Parecia uma novela

Mais é pura realidade

Homem assassino

Sem Deus no coração

O ser humano é descartável

Nesse louco mundão

Isso não é mito

É pura realidade

Infelizmente somos mais um

Nessa louca crueldade

Todo dia no noticiário

Ou em capa de jornal

Pessoas sendo mortas

Por menos de um real

Pessoas batalhadoras

A procura dos teus sonhos

Interrompendo em algum momento

Por esse sofrimento

Nessa louca crueldade.

Alunos: Tiago e Aldemirian

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

NARRAÇÃO

NARRAÇÃO

"Disseram que ela dormia quando o temporal chegou. Um vagalhão pegou-a de surpresa, não teve tempo nem pra gritar socorro. Ainda não acharam o corpo. Juvenal, o marido, voltava para casa..."

  • Prossiga a história desenvolvendo o conflito que "explode" quando Juvenal se dá conta do que aconteceu;
  • Narrador em terceira pessoa;
  • Espaço: na praia;
  • Tempo: uma noite.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

BOM DE OUVIDO








Volta e meia a gente encontra alguém que foi alfabetizado, mas não sabe ler. Quer dizer, até domina a técnica de juntar as sílabas e é capaz de distinguir no vidro dianteiro o itinerário de um ônibus. Mas passa longe de livro, revista, material impresso em geral. Gente que diz que não curte ler.

Esquisito mesmo. Sei lá, nesses casos, sempre acho que é como se a pessoa estivesse dizendo que não curte namorar. Talvez nunca tenha tido a chance de descobrir como é gostoso. Nem nunca tenha parado para pensar que, se teve alguma experiência desastrosa em um namoro (ou em uma leitura), isso não quer dizer que todas vão ser assim. É só trocar de namorado ou namorada. Ou de livro. De repente, pode descobrir delícias que nem imaginava, gostosuras fantásticas, prazeres incríveis. Ninguém devia ser obrigado a namorar quem não quer. Ou ler o que não tem vontade. E todo mundo devia ter a oportunidade de experimentar um bocado nessa área, até descobrir qual é a sua.

Durante 18 anos, eu tive uma livraria infantil. De vez em quando, chegavam uns pais ou avós com a mesma queixa: "O Joãozinho não gosta de ler, o que é que eu faço?" Como eu acho que o ser humano é curioso por natureza e qualquer pessoa alfabetizada fica doida para saber o segredo que tem dentro de um livro (desde que ninguém esteja tentando lhe impingir essa leitura feito remédio amargo pela goela abaixo), não acredito mesmo nessa história de criança não gostar de ler. Então, o que eu dizia naqueles casos não variava muito.

A primeira coisa era algo como "pára de encher o saco do Joãozinho com essa história de que ele tem que ler". Geralmente, em termos mais delicados: "Por que você não experimenta aliviar a pressão em cima dele, e passar uns seis meses sem dar conselhos de leitura?"

O passo seguinte era uma sugestão: "Experimente deixar um livro como este ao alcance do Joãozinho, num lugar onde ele possa ler escondido, sem parecer que está fazendo a sua vontade. No banheiro, por exemplo".
E o que eu chamava de um livro como este, já na minha mão estendida em oferta, podia ser um exemplar de O Menino Maluquinho, do Ziraldo, ou do Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, ou de O Génio do Crime, do João Carlos Marinho . Havia vários outros títulos que também serviam. Mas o fato é que, em 18 anos de experiência, NUNCA, nem uma única vez, apareceu depois um pai reclamando que aquela sugestão não tinha dado certo. Pelo contrário, incontáveis vezes o encontro seguinte já incluía um Joãozinho entusiasmado, comentando o livro lido e disposto a fazer novas descobertas.


Para adolescentes e jovens, a coisa é um pouco mais complicada. Não porque não haja livros tão bons assim como os que citei. Pelo contrário, tem de montão. Eu seria capaz de encher páginas e páginas só dando sugestões e comentando cada uma delas. A quantidade chega até a atrapalhar a escolha, não é esse o problema. Mas aí já entram em cena muitas outras variáveis.[...]

Nessa idade, todo mundo gosta de procurar sua tribo. Há quem goste de pagode, quem se amarre em música sertaneja, quem só queira saber de rock. A turma que madruga e batalha para conciliar estudo e trabalho, o pessoal que discute política e faz manifestação, a moçada que não está nem aí. Se eles não se vestem igual, não frequentam os mesmos lugares, não se deslocam nos mesmos transportes, não curtem o mesmo tipo de música, não falam a mesma gíria, como é que de repente a gente vai encontrar um livro assim como O Menino Maluquinho para jovens, capaz de atingir a todos, tão diferentes?

Ana Maria Machado. Bom de Ouvido. Comédias para ler na escola. Luiz Fernendo Verrissímo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

PRODUÇÃO DE TEXTO:
No texto de Ana Maria Machado, você tomou contato com as opiniões da autora sobre os motivos que levam as pessoas a serem avessas à leitura e como a paixão pelo livro pode ser despertada em alguém. Sua tarefa, agora, é escrever um texto em que você relate como foi o início de sua experiência com a leitura. Procure lembrar-se de como aprendeu a ler (e escrever) e de como se sentiu a partir do momento em que passou a ter autonomia pata ler e escrever o que quisesse.


Se você for um leitor apaixonado, conte também como seu encantamento pelos livros começou e o que eles significam em sua vida, até hoje.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

11 DE AGOSTO - DIA DO ESTUDANTE



Içami Tiba, qualifica os 11 tipos de alunos que podemos encontrar.

Devido a diferença de aprendizes, devemos trabalhar variando a metodologia, para satisfazer cada necessidade destes alunos.

1º Esponja: é o aluno que absorve tudo. Anota em detalhes o que o professor fala e estuda sem fazer distinções. Come o que lhe põe à frente, o que não significa que aprendeu tudo.

2º Peneira: utiliza uma peneira para selecionar a parte que irá aproveitar da matéria. Ouve tudo, mas anota só o que lhe interessa. Quer saber apenas o que caia na prova.

3º Funil: parecido com o esponja, represa tudo o que o professor diz para repassar em casa, mais devagar. É como se precisasse deixar para decidir depois, com mais calma.

4º Salteado: aposta na sorte. Como não sabe o que vai cair na prova, arrisca e estuda qualquer coisa. Seja o que Deus quiser.

5º Sorteado: este aluno tem fé, acredita que vá cair tal ponto e estuda somente aquele. Tem sempre um palpite.

6º Último-horista: um tipinho tradicional que só estuda na véspera da prova e faz trabalho escolar na filha de entrega.

7º Ausente-de-corpo-presente: é o estudante que aproveita a aula para organizar a agenda, fazer tarefas de outras disciplinas. Desenhar, jogar jogo da velha, etc.

8º Sintonia-fina: altamente desmotivado e desconcentrado, tem o radar ligado em sintonia fina para captar qualquer outro tema que não seja a aula.

9º Autodidata: não presta atenção na aula, falta muito, não se mata de estudar, nem se esforça para realizar os trabalhos escolares. Na véspera da prova, pega o livro, se prepara sozinho.

10º Chupim: é como o passarinho que bota seus ovos para o tico-tico chocar e criar. Não presta atenção nas aulas, não anota nada, nem livros tem, e na hora da prova cola de quem sabe. Sem interesse de aprender, entra nos grupos de trabalhos escolares só para assinar o nome.

11º Abelha: é o aluno que trabalha faça chuva, faça sol. Sempre tem o seu mel.

Fonte: "Ensinar Aprendendo - Içami TIBA"







•Tem o aluno religioso: sempre que ele vem ,você diz -"pelo amor de Deus!"

•Tem o aluno matemático: ele sempre te faz contar até dez pra não perder a paciência...

•Tem o aluno relojoeiro: ele sempre está desmontando alguma coisa ...

•Tem o aluno atleta: sempre está correndo e pulando os obstáculos...

•Tem o aluno lixeiro: ele não sai do lixo, apontando os lápis ...

•Tem o aluno detetive aquele que fuça em tudo que não é dele ...

•Tem o aluno músico: ele sempre está batucando na mesa ...

Tem o aluno hipocondríaco: ele sempre inventa alguma doença pra faltar ...

•Tem o aluno leiteiro: ele só aparece quando chega o leite...

•Tem o aluno " homem invisível": ele sempre está no meio da bagunça, mas nunca ninguém viu ...

•Tem o aluno "tropa de elite" : te faz pensar em desistir todos os dias ....

•Tem o aluno "gerente": cuida da vida de todo mundo ...

•Tem o aluno "anticristo": ele inferniza todos os seus dias ...

•Tem o aluno psicólogo: sempre vem te falar o que os outros estão sentindo ...

•Tem o aluno sombra: não desgruda nunca de você ...

•Tem o aluno astronauta: está sempre no mundo da lua ...

•Tem o aluno catavento: roda, roda, mas não chega a lugar algum ...

•Tem a aluna noiva: chega sempre atrasada ...



quarta-feira, 13 de julho de 2011



UM CRIME QUASE PERFEITO (PARTE I)

Robert Arlt

As alegações dos três irmãos da suicida foram checadas. Não tinham mentido. O mais velho, Juan, permanecera das cinco da tarde até a meia-noite (a senhora Stevens se suicidou entre sete e dez da noite) detido numa delegacia, por sua imprudente participação num acidente de trânsito. O segundo irmão, Esteban, estivera no povoado de Lister desde as seis da tarde daquele dia até as nove do seguinte. Quanto ao terceiro, doutor Pablo, ele não se afastara em nenhum momento do laboratório de análise de leite da Cia. Erpa, mais exatamente do setor de doseamento da gordura.
O curioso é que, naquele dia, os três irmãos tinham almoçado com a suicida, comemorando seu aniversário, e ela, por sua vez, em nenhum momento deixara entrever uma intenção funesta. Todos comeram alegremente e, às duas da tarde, os homens se retiraram.
Suas declarações coincidiram em tudo com as da criada que, desde muitos anos trabalhava para a senhora Stevens. Essa mulher, que não dormia no emprego, às sete da noite foi para casa. A última ordem que recebeu foi a de dizer ao porteiro que trouxesse o jornal da tarde. Às sete e dez o porteiro entregou o jornal à senhora Stevens, e o que fez esta antes de matar-se pode ser presumido logicamente. Revisou os últimos lançamentos da contabilidade doméstica, pois a livreta estava na mesa da copa, com os gastos do dia sublinhados. Serviu-se de uísque com água e nessa mistura deixou cair, aproximadamente, meio grama de cianureto de potássio. Pôs-se a ler o jornal, depois bebeu o veneno e, ao sentir que ia morrer, levantou-se, para logo tombar no chão atapetado. O jornal foi achado entre seus dedos contraídos.
Tal foi a primeira hipótese, construída a partir de um conjunto de coisas pacificamente ordenadas no interior da residência, mas esse suicídio estava carregado de absurdos psicológicos e não queríamos aceitá-lo. No entanto, só a senhora Stevens podia ter posto o veneno no copo. O uísque da garrafa não continha veneno. A água misturada também era pura. O veneno, claro, podia estar no fundo ou nas paredes do copo, mas esse copo tinha sido retirado de uma prateleira onde havia uma dúzia de outros iguais: o eventual assassino não havia de saber qual copo a senhora Stevens escolheria. De resto, o laboratório da polícia nos informou que nenhum copo tinha veneno em suas paredes.
A investigação não era fácil. As primeiras provas – provas mecânicas, como eu as chamava – sugeriam que a viúva morrera por suas próprias mãos, mas a evidência de que, ao ser surpreendida pela morte, estava distraída na leitura do jornal, tornava disparatada a ideia de suicídio.
Essa era a situação quando fui desligado por meus superiores para continuar a investigação. A informação de nosso laboratório era categórica: havia veneno no copo que a senhora Stevens usara, mas a água e o uísque da garrafa eram inofensivos. O depoimento do porteiro era igualmente seguro: ninguém visitara a senhora Stevens depois que lhe entregara o jornal. Se após as diligências iniciais eu tivesse concluído o inquérito optando pelo suicídio, meus superiores nada teriam objetado. Porém, concluir o inquérito nesses termos era a confissão de um fracasso. A senhora Stevens tinha sido assassinada e havia certo indício: onde estava o envoltório do veneno? Por mais que revistássemos a casa, não encontramos a caixa, o envelope ou o frasco do tóxico. Aquilo era eloquente.
E havia outra questão: os irmãos da morta eram três malandros. Os três, em menos de dez anos, tinham posto fora os bens herdados dos pais, e seus atuais rendimentos não eram satisfatórios: Juan trabalhava como ajudante de um advogado especializado em divórcios. Mais de uma vez sua conduta anterior se mostrara suspeita, dando margem à presunção de chantagem. Esteban era corretor de seguros e havia feito um seguro para sua irmã, sendo ele mesmo o beneficiário. Quanto a Pablo, era veterinário, mas tivera seu registro profissional cancelado pela justiça, após ser condenado por dopar cavalos. Para não morrer de fome empregara-se na indústria leiteira, no setor de análises.
Assim eram os irmãos.
Já a senhora Stevens tinha enviuvado três vezes. No dia de seu "suicídio" estava completando 68 anos, mas era uma mulher extraordinariamente conservada, corpulenta, forte, enérgica, de cabelos viçosos, e tinha condições de pretender novo casamento. Dirigia a casa com alegria e pulso firme. Adepta dos prazeres da mesa, sua despensa estava magnificamente provida de vinhos e comestíveis, e não há dúvida de que, sem aquele "acidente", teria vivido cem anos. Supor que uma mulher como ela seria capaz de suicidar-se era desconhecer a natureza humana. Sua morte beneficiaria cada um dos três irmãos com duzentos e trinta mil pesos.
O cadáver foi descoberto pelo porteiro e pela criada às sete da manhã, quando esta, não conseguindo abrira porta, que estava trancada por dentro, chamou o homem para ajudá-la. Às onze da manhã, como creio ter dito anteriormente, estava em nosso poder a informação do laboratório. Às três da tarde, eu deixava o quarto em que estava detida a empregada, em sua própria casa, com uma idéia na cabeça: o assassino arrancara um vidro da janela para entrar na casa, e após deitar veneno ao copo recolocara o vidro no lugar. Era uma fantasia de romance policial, mas convinha verificar a hipótese.
Saí da residência da senhora Stevens decepcionado. Minha especulação era falsa. A massa dos vidros não tinha sido removida.
Decidi caminhar e pensar um pouco, o "suicídio" da senhora Stevens me preocupava bastante. Não policialmente, mas, diria, esportivamente. Estava diante de um assassino sagaz, possivelmente um dos três irmãos, que se valera de um expediente simples e ao mesmo tempo misterioso, impossível de ser detectado
na nitidez daquele vazio.
Absorvido em minhas conjeturas, entrei num café, tão ausente do mundo que, embora detestasse bebidas alcoólicas, pedi um uísque. Quanto tempo esteve a bebida, sem ser tocada, diante dos meus olhos? Não sei. De repente, vi o copo de uísque, a garrafa d'água, o pratinho com gelo. Atônito, fiquei olhando aquilo. Uma hipótese dava grandes saltos em meu cérebro.

UM CRIME QUASE PERFEITO II (Parte Final)

Chamei o garçom, paguei a bebida que não tomara, embarquei num táxi e fui à casa da criada. No quarto, me sentei à frente dela.
Olhe-me nos olhos – disse-lhe – e veja bem o que vai responder: a senhora Stevens tomava uísque com gelo ou sem gelo?
Com gelo, senhor.
Onde comprava o gelo?
Não comprava, senhor. Em casa há uma geladeira pequena que faz gelo em cubinhos – e a criada, como acordando, prosseguiu: - Agora me lembro, a geladeira estava estragada. Ontem, o senhor Pablo a consertou num instante.
Uma hora depois nos encontrávamos na residência da senhora Stevens: o químico de nosso laboratório, o técnico da fábrica que vendera a geladeira, o juiz de instrução e eu. O técnico retirou a água do depósito do congelador e vários cubinhos de gelo. O químico iniciou seu trabalho e, minutos depois, disse:
A água está envenenada, os cubos também.
Olhamo-nos, contentes. O mistério tinha terminado.
Agora era um mero jogo a reconstituição do crime. O doutor Pablo, ao trocar o fusível da geladeira (era este o defeito, segundo o técnico), lançara no congelador certa quantidade de veneno dissolvido em água. Sem suspeitar, a senhora Stevens preparava seu uísque. Retirara um cubinho do congelador (o que explicava o prato com gelo derretido, encontrado na mesa) e o colocara no copo. Sem imaginar que a morte a esperava em seu vício, passara a ler o jornal, até que, julgando o uísque suficientemente gelado, tomara um gole. Os efeitos não tardaram.
Faltava prender o veterinário. Em vão o esperamos em sua casa. Ignoravam onde estava. No laboratório da indústria leiteira nos informaram que lá chegaria só às dez da noite.
Às onze, o juiz, meu superior e eu nos apresentamos no laboratório da Erpa. O doutor Pablo, quando nos viu em grupo, levantou o braço, como se quisesse anatematizar nossas conclusões. Abriu a boca e despencou ao lado de uma mesa de mármore. Um infarto o matara. Em seu armário estava o frasco do veneno. Foi o assassino mais engenhoso que conheci.

sábado, 9 de julho de 2011



O PRESENTE
01- Você é uma pessoa especial, e por isso está recebendo este presente, mas, na verdade, não se anime muito, pois este presente não é seu! Entregue-o à pessoa que considera á mais bonita do grupo.

02- Para muitos, a beleza é fundamental, mas para você é apenas uma qualidade. Que pena! Este presente também não é seu. Você vai entregá-lo a uma pessoa dinâmica.

03- Ser dinâmico é estar sempre presente, ajudando sem cessar. Mas... este presente não é seu .... Entregue-o a uma pessoa realista.

04- Como você é realista, então já sabe o que lhe espera, a realidade é que este presente não é seu. Você vai entregá-lo a pessoa que você considera inteligente.

05- Ser inteligente é um privilégio, mas a capacidade de entender o mundo é dos sensíveis e inteligentes e você também o é. Pela sua inteligência, você sabe que o presente não é seu, entregue-o a uma pessoa sensível.

06- Ser sensível é um Dom de Deus, qualquer coisa lhe atinge, atinge a sua sensibilidade, e esta sensibilidade lhe diz que este presente não é seu, então, entregue-o a uma pessoa carinhosa.

07- Carinho também é uma forma de amor. Você está de parabéns! (palmas a ela), mas.... todo este carinho você irá demonstrar, entregando este presente a uma pessoa meiga.

08- A meiguice é um Dom que poucas pessoas possuem. Se você é mesmo uma delas, cultive-a que será recompensada (o) por Deus. Sendo meiga(o) já sabe que este presente também não é seu... passe-o para uma pessoa otimista.

09- Ser otimista é estar sempre disposto(a) a começar tudo de novo. Quanta força de vontade tem dentro de você. Você é tão otimista que acredita que este presente é seu, mas ... não é... Você vai entregá-lo a uma pessoa trabalhadora.

10-Dizem que Deus ama a quem trabalha, e você deve estar radiante por esse amor de Deus! Pense consigo mesmo que quem trabalha um dia será recompensado. Hoje chegou o meu dia e eu serei recompensado com este presente! Mas não é bem assim, a sua recompensa será ainda maior, não hoje, hoje trabalhe mais um pouco e dê o presente à pessoa calma.

11-Se você é calmo (a), mantenha este Dom, porém não se deixe abater pela passividade e deixe sempre clara a sua opinião. Mas o presente também não é seu... Entregue-o a pessoa mais criativa.

12- Ser criativo é levar uma vida inventando, imaginando coisas. Para você , as horas são curtas e os dias pequenos demais! Seja criativo para escolher uma pessoa mais do grupo. Aquela que diz na hora o que pensa, uma pessoa sincera.
13- Ser sincero(a) é ser fiel, é ser uma pessoa em quem se possa confiar, tomara que haja mais pessoas como você. Não fique com o presente, seja sincero(a), entregue-o a pessoa mais simpática.

14- Nós admiramos você pela sua simpatia e na sua simpatia, dê uma voltinha..., mas apenas para escolher uma pessoa solidária para você e passe este presente.

15- Ser solidário é fundamental nos dias de hoje, mas nem só de pão vive o homem. Assim, este presente não é seu, entregue-o a pessoa mais sensual.

16- Sensualidade é força de vida. Use toda a sua energia e entregue este presente para a pessoa mais romântica.
17- Como pessoa romântica que é, você vê o amor em todas as coisas, mas mesmo assim este presente não é seu, entregue-o a uma pessoa dedicada do grupo.

18- A dedicação é um ato de entrega, então, não vai ser difícil, entregue este presente a pessoa persistente.

19- Ser persistente é um ato de coragem frente aos obstáculos da vida, então tenha coragem e entregue este presente a uma pessoa tolerante.

20- Ser tolerante é ser paciente e aceitar certas falhas e erros das pessoas. Desculpe, eu errei, esse presente não é seu entregue-o a urna pessoa empolgada.
21- Ser empolgada com as coisas é maravilhoso. Você contagia a todos com pequenos atos, mas não fique muito empolgado(a), pois este presente não é seu, entregue-o à pessoa mais cortês do grupo.

22- A cortesia é a maneira que o homem encontra de demonstrar toda a sua delicadeza, então seja cortes e entregue este presente a uma pessoa interessante do grupo

23- Ser interessante significa cativar o espírito, a atenção, a curiosidade. Então s interessante e cative uma pessoa equilibrada do grupo, oferecendo-lhe este presente.

24- Equilíbrio é estabilidade mental e emocional. Requer moderação e prudência. Então, seja equilibrado e entregue este presente a pessoa mais amorosa do grupo.

25- Amoroso é quem tem ou sente amor. Aquele que ama, que é bondoso, que tem em seu ser a semente do amor. Demonstre este amor e entregue este presente a uma pessoa que considere prudente.

26- Prudência é qualidade de quem age com moderação, buscando evitar todo que causa dano. Evite danos maiores e entregue este presente a uma pessoa coerente.

27- Ser coerente é possuir atitudes que buscam harmonia. Exercite este Dom e passe o presente á pessoa que julga ser competente.

28- Ser competente é possuir várias habilidades, portanto passe esse presente para uma pessoa muito organizada.
29- O organizado faz tudo na hora certa. Sua prontidão lhe ajudará a se organizar para entregar este presente a pessoa mais confiante
.
30- A confiança é fundamental, nos orienta a atingir nossos ideais, mas você já está confiante demais. Este presente não lhe pertence, entregue-o à pessoa mais amiga do grupo.

31- Você foi eleita a pessoa mais amiga. Parabéns! Ser amigo é primordial, é reunir um pouco de todas as qualidades, é Ter amor no coração. Este presente é para você. E você como amigo, irá reparti-lo com todos os amigos que estão compartilhando este momento especial.
Que Deus dê a todos a esperança e a força para lutarmos por um ano de muitas Vitórias e Paz .


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Reforma ortográfica
Cynthía Feitosa

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.
No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com frequênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes.
O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente.
Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika!
Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados.
O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e é mais façil.
Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe.
Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.
No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas seraum poçiveis.
O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foram um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de çoletrar. Alem diço, todos konkordam ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos kraze aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.
No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais façiu.
Os kariokas talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.
No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu?
Os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.
Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempre çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogadu us eskrito i ate us politiko i u prezidenti olia ço ki maravilia.

1) A crônica acima é narrativa ou argumentativa?
2) Na sua opinião, a autora está fazendo uma proposta séria ou está sendo irônica?
3) O texto tem a peculiaridade de ir aplicando, à medida que avançam os parágrafos, as novas regras de simplificação proposta. Você achou fácil a leitura do último parágrafo, onde estão presentes todas essas regras?
4) Reescreva o último parágrafo aplicando a ele a norma-padrão.
5) O texto começa dizendo que o português é uma língua difícil. Você concorda com essa afirmação? Quais são suas maiores dificuldades na escrita da língua portuguesa?
6) A blogueira dá “alfinetadas” na pronúncia de cariocas, paulistas e goianos.
a) Segundo a autora, como os cariocas pronunciam o plural? E os paulistas?
b) O que significa acabar com o “d” do gerúndio.
c) Você acha que essas características da fala estão relacionadas apenas a esses estados? Na sua região, como é pronunciado o plural? E os gerúndios? E os infinitivos, são pronunciados com ou sem o “r”?
7) Você conhece o internetês, linguagem que segue algumas das regras desta proposta? O que você acha dele?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

TURMA DA MÔNICA

* Começamos a aula com a leitura da tira "Magali Poço dos Desejos".
* Após a leitura abri espaço para que os alunos falassem o que entenderam da história, e ai foi só risasdas... Adoraram falar da esperteza da Magali.
* Em seguida fizeram a interpretação do texto.
* Pesquisaram sobre o biografia do Maurício de Souza no Laboratório de Informática da Escola.
* Disponibilizei vários gibis da Turma da Mônica na sala de aula e todos puderam escolher quais iriam ler.







* ATIVIDADES:


1) Quantos gibis você leu?


2) Quais foram as Histórias em Quadrinho que você leu?


3) O que você achou das Histórias da Turma da Mônica?


4)Na sua opinião, qual foi a melhor história? Por quê?



quinta-feira, 12 de maio de 2011

O HOMEM NU - FERNADO SABINO

O Homem Nu

Fernando Sabino


Ao acordar, disse para a mulher:


— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.


— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.


— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.


Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.


Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:


— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.


Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.


Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!


Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:


— Maria, por favor! Sou eu!


Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.


Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.


— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.


E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!


— Isso é que não — repetiu, furioso.


Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.


1. O narrador desta crônica está em primeira ou terceira pessoa?


2. Quais os tempos verbais predominantes nesta crônica?


3. Qual é o nome do homem nu?


4. Por que o casal não poderia abrir a porta do apartamento?


5. Qual efeito cômico o autor explora nesta situação corriqueira?



6. Com que objetivo o homem saiu do apartamento?


7. Por que ele não conseguiu entrar em casa novamente?


8. Por que sua mulher não abriu a porta para ele?


9. Por que ele se refugiou no elevador?


10. Repare na importância dos sons na narrativa. O estrondo da porta que bate, o ruído do chuveiro do banho da mulher... Selecione mais dois trechos em que o som se torna importante para a história e anote-os.


11. Pesqueise o que poderia significar a expressão "pessadelo de Kafka?"


12. Em alguns momentos a narrativa é pontuada por questões como "E agora? Iria subir ou descer?" O que essas questões retratam na narrativa?



CONTINUANDO UMA CRÔNICA


OBJETIVO: Criar um final para a crônica.


* Escreva em seu caderno uma continuação para a crônica de Fernando Sabino.

... De repente ele acorda e percebe que era apenas um sonho.
Então diz para sua mulher:
-Hoje é o dia de pagar a prestação da televisão, vem ai o sujeito com a conta, na certa! Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou sem nenhum.
Então, o homem percebe que está se repetindo, conta tudo a sua mulher e resolve que ela irá pegar o pão.
Tudo se resolve, ele e sua esposa ficam em casa esperando o cobrador quietinho. Porém, o cobrador aparece no outro dia e sem o dinheiro, não consegue resolver o seu problema.
Aluna: Walquíria Cristina Gadani Santos - 8ª B

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... Quando menos esperava, o elevador desligou o sinal de emergência e ele pode subir para seu apartamento.
Chegou com a sacola de pão, uma mulher do apartamento vizinho estava saindo e começou a gritar:
-Tarado!
Foi quando os outros vizinhos começaram a sair de seus apartamentos assustados com aquela cena.
Sua esposa foi ver o que era e ele estava correndo para dentro do seu apartamento com vergonha.
Aluno: Marciano Tomaz - 8ª B
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... Bem indeciso ele tira os pães do embrulho, pega o saco faz como se fosse um short.
Ele resolve voltar ao seu apartamento com aquele seu traje, bate três vezes na porta falando: amor abre a porta!!!
A mulher fala: - Calma amor!! Meu marido já saiu falando pra não mais abrir a porta para você meu anjo! Você vai me agarrar igual aquele dia?
Ela vai e abre a porta.
O marido nervoso entra, veste uma roupa adequada e vai conversar com sua mulher, terminando seu romance sabendo que ele estava sendo traído pelo cara da televisão, que era seu irmão.
Aluno: Lucas - 8ª B
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... Apavorado resolveu tentar de novo. Voltou para o seu andar, com muita cautela para não encontrar o cobrador.
Tocou a campainha e ninguém atendeu.
Então, resolveu esperar. Tomou cuidado para que ninguém percebesse a situação. Passaram horas!
Maria abriu a porta e disse:- O que é isso?
Eu nem respondi, estava muito bravo. Entrei e fui logo vestindo a roupa.
A campainha tocou e adivinha quem era? O cobrador. Então, paguei a televisão e me vi livre dessa situação!
Aluno: Jelisson -8ª B
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Ficou pensando e então decidiu subir. Ele ia subindo e ficava cada vez mais apavorado. Então ele chegou até o seu andar e quando ele abriu a porta do elevador, por sorte o cobrador já tinha ido embora e então bem quietinho ele bateu na porta e disse:
-Maria abre a porta...
Ela conheceu a voz dele e então abriu a porta. E quando ela abriu, viu aquela cena bizarra e começou a rir, então ele foi explicar o que ele passou e eles riram muito da situação constrangedora que ele passou.
Aluna: Gislaine 8 ª A
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Ele pensou muito... Então decidiu subir, pois assim ele poderia chegar ao seu apartamento.
Já tinha ganhado um pouco de tempo para pensar e reagir, então disse: “E se eu chegar e a Maria não abrir a porta? O que eu vou fazer?”
Continuou a subir. Por sorte quando chegou lá, Maria já tinha sentido sua falta e abriu a porta. Quando ela virou as costas para o elevador veio o SUSTO, um homem nu vindo em sua direção, ele passou por ela e entrou no apartamento.
Ela sem entender virou as costas novamente. Então o elevador fez um barulho novamente, ela olha constrangida e pensa: “Será que é outro homem nu?” Quando ela olha é o cobrador!
Aluna: Roberta Nakano - 8ª A
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O elevador parou e começou a subir, ao chegar no seu andar, a porta do elevador se abriu. Ele correu até a porta do seu apartamento e voltou a chamar sua esposa:
-Maria, Maria, sou eu o José, abre a porta!
Maria ouviu e foi abrir a porta, mas só deu tempo dele entra no apartamento, para o cobrador aparecer saindo do elevador. Maria ficou sem saber o que fazer: “Corro e fecho a porta ou fico e conto o que aconteceu?”
Ela resolveu ficar e falar que estava sem dinheiro para pagar a divida e que no outro dia o pagava.
Maria entrou em casa e José contou o que havia acontecido e os dois riram de tudo juntos.
Aluna: Letícia Felix - 8ª A
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Ele pensou. Pensou e pensou parou um pouco e falou com ele mesmo, se eu descer a pessoas que estão lá em baixo chamando o elevador, vão me ver e se eu subir eu tenho a chance de me esconder e tentar entrar no apartamento.
-O que eu faço? Repetiu o homem.
Já sei... Vou subir, ele saiu do elevador e foi correndo para o apartamento e chamou: Maria sou eu, e não o cobrador abre a porta...
Ele entrou no apartamento, e se trocou.
Aluno: Gabriell Matheus - 8ª A
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Poderia piorar? Sim, começaram a chamar o elevador do andar onde mora.
Apavorou-se mais ainda, se é que era possível, resolveu soltar a porta e deixar o elevador andar, a pessoa do andar debaixo desistiu o elevador subiu e ao abrir a porta ficou vermelho, quem ouviu começou a rir.
Nervoso exclamou:
- Maria! Nunca mais eu como pão!
Aluna: Cristiane Cabral - 8ª A
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Ele ficou pensando, pensando até que resolveu subir o elevador. Quando chegou ao andar do seu apartamento, deu de cara com uma senhora que ficou muito espantada e começou a chamar de tarado.
Todos os vizinhos do seu andar saíram, no corredor e começaram a chamar doido.
Foi então que sua mulher abriu a porta e ele saiu correndo para dentro do seu apartamento.
O cobrador chegou, eles tiveram que atender e falaram que não tinham o dinheiro naquele dia .
Aluna: Danielly de Moura - 8ª A
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O homem começou a se desesperar, com medo de que alguém ouvisse nu. Então pegou um pedaço de pano, fez de vestido tomara que caia e resolveu a se passa por “boiola”. Apertou o botão de “subir” e fingiu estar apavorado. Então o homem que ele ouviu os passos, subiu, o viu apavorado e disse:
- Posso ajudar?
-Não meu amor, só estou esperando um a pessoa. Disse o homem nu, com aquela voz de boiola.
Quando o homem dos passos foi embora resolveu bater na porta de Maria, até que ela abriu e tudo se resolveu.
Aluna: Pâmela de Moura - 8ª A

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AGORA VOCÊ VAI LER O FINAL QUE FERNANDO SABINO ESCREVEU PARA A SUA CRÔNICA. "O HOMEM NU":

_ Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
- É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.